INSS suspende peritos por irregularidades em negativas de doenças - Mateus Advogado Skip to content

INSS suspende peritos por irregularidades em negativas de doenças

INSS afasta peritos por negar benefícios

167 peritos são suspeitos de negar auxílio doença em massa e sem critério: saiba se você foi uma vítima

Uma notícia divulgada pelo Ministério da Previdência Social chamou a atenção de milhões de brasileiros que dependem dos benefícios do INSS. O governo restringiu temporariamente o acesso de 167 peritos médicos federais ao sistema Atestmed, após identificar indícios de que diversos pedidos de auxílio-doença (atualmente chamado de benefício por incapacidade temporária) poderiam estar sendo negados sem uma análise adequada da documentação apresentada pelos segurados.

Segundo as informações divulgadas, alguns profissionais apresentavam um índice de negativas muito acima da média nacional, utilizavam justificativas praticamente padronizadas e, em alguns casos, analisavam pedidos em menos de cinco minutos.

A notícia levanta uma dúvida importante: quem teve o auxílio-doença negado pode ter sido prejudicado por uma decisão irregular?

Neste artigo, vamos explicar o que aconteceu, como funciona o Atestmed e quais são os direitos de quem acredita ter recebido uma negativa injusta do INSS.

O que aconteceu com os 167 peritos do INSS?

O Ministério da Previdência informou que a medida é temporária e cautelar, ou seja, não se trata de uma demissão nem de uma punição definitiva.

Na prática, esses 167 peritos deixaram de atuar no Atestmed Qualificado, sistema utilizado para analisar pedidos de benefício por incapacidade sem necessidade de perícia presencial. Eles continuam exercendo outras atividades da carreira e realizando perícias presenciais normalmente.

A decisão foi tomada após uma auditoria interna identificar situações consideradas atípicas durante o monitoramento do sistema.

Entre os principais indícios encontrados estavam:

  • índices de indeferimento muito superiores aos dos demais peritos;
  • utilização repetitiva de justificativas semelhantes para negar benefícios;
  • ausência de análise individualizada da documentação médica;
  • tempo extremamente reduzido para analisar cada pedido.

Em um dos casos divulgados, um único perito teria negado mais de 90% dos pedidos analisados, realizando avaliações que duravam menos de cinco minutos.

Diante desses indícios, o Ministério decidiu restringir temporariamente o acesso desses profissionais ao sistema enquanto os casos são reavaliados.

O que é o Atestmed?

O Atestmed é uma modalidade criada pelo INSS para simplificar a concessão do benefício por incapacidade temporária.

Em vez de comparecer a uma agência para realizar uma perícia médica presencial, o segurado pode enviar pela internet documentos como:

  • atestado médico;
  • exames;
  • laudos;
  • relatórios médicos.

Esses documentos são analisados por um perito médico federal.

Se os documentos demonstrarem a incapacidade para o trabalho, o benefício pode ser concedido por até 90 dias, sem necessidade de comparecimento presencial.

A ideia do sistema é reduzir filas, acelerar a análise dos pedidos e facilitar o acesso dos trabalhadores ao benefício.

Mais recentemente foi criado o chamado Atestmed Qualificado, uma versão mais detalhada do sistema, desenvolvida após recomendações do Tribunal de Contas da União (TCU), permitindo inclusive que pedidos fossem deferidos ou indeferidos apenas com base na análise documental.

Foi justamente nessa nova modalidade que surgiram as suspeitas investigadas pelo Ministério da Previdência.

Por que esses peritos passaram a ser investigados?

Segundo o Ministério da Previdência Social, o problema não foi simplesmente o fato de alguns peritos negarem mais benefícios do que outros.

A preocupação surgiu porque diversos fatores apareceram ao mesmo tempo.

Entre eles estavam:

  • taxas de negativas muito acima da média nacional;
  • justificativas praticamente idênticas em diferentes processos;
  • análises extremamente rápidas;
  • indícios de que os documentos enviados pelos segurados não estavam sendo avaliados individualmente.

Em outras palavras, a suspeita é que alguns pedidos possam ter sido recusados utilizando fundamentações padronizadas, sem considerar as particularidades de cada trabalhador.

Esse ponto é especialmente importante porque a Constituição Federal garante aos cidadãos o direito ao devido processo administrativo e à motivação das decisões da Administração Pública. Na prática, isso significa que toda decisão do INSS deve ser fundamentada com base nas provas apresentadas em cada caso concreto, e não por meio de respostas genéricas.

O próprio Ministério informou que está promovendo treinamento adicional aos peritos para reforçar a necessidade de análises técnicas, imparciais e individualizadas.

A Associação dos Peritos concorda com essa decisão?

Não.

A Associação Nacional dos Peritos Médicos Federais (ANMP) contestou a medida e ingressou na Justiça.

Segundo a entidade, não existe na legislação qualquer percentual mínimo ou máximo de concessão de benefícios. Para a associação, um índice elevado de negativas não significa necessariamente que houve irregularidade.

Os representantes da categoria também afirmam que a Lei nº 11.907/2009 garante autonomia técnica aos peritos médicos federais, permitindo que cada profissional decida conforme sua convicção técnica.

Além disso, argumentam que alguns segurados apresentam documentação insuficiente, o que naturalmente aumenta o número de indeferimentos de determinados profissionais.

Esse é justamente o motivo pelo qual a investigação ainda está em andamento: existem argumentos apresentados tanto pelo Ministério da Previdência quanto pela entidade representativa dos peritos.

Os benefícios negados serão revistos?

Em parte, sim.

Segundo informações divulgadas pelo próprio Ministério, diversos pedidos analisados pelos peritos que tiveram o acesso restringido estão passando por uma nova avaliação.

Esses processos estão sendo redistribuídos para outros peritos médicos federais.

Caso a nova análise conclua que o trabalhador realmente preenchia os requisitos para receber o benefício, o auxílio poderá ser concedido.

Entretanto, isso não significa que todas as negativas estavam erradas.

Cada processo possui documentos diferentes, doenças diferentes e circunstâncias próprias.

Por isso, será necessária uma análise individual de cada caso.

Como saber se o seu auxílio-doença pode ter sido negado de forma irregular?

Nem toda negativa do INSS é ilegal.

Existem situações em que realmente faltam documentos médicos, exames atualizados ou elementos suficientes para comprovar a incapacidade laboral.

Por outro lado, alguns sinais podem indicar que vale a pena uma revisão especializada.

Por exemplo:

  • a decisão utiliza justificativas muito genéricas;
  • praticamente não comenta os documentos apresentados;
  • não explica por que os laudos médicos foram desconsiderados;
  • existem exames robustos demonstrando incapacidade, mas mesmo assim o pedido foi negado.

Nessas situações, pode haver fundamento para apresentar recurso administrativo ou até mesmo buscar a revisão da decisão perante a Justiça.

O que fazer se o INSS negou o seu auxílio-doença?

O primeiro passo é manter a calma.

Receber uma negativa não significa necessariamente que você perdeu definitivamente o direito ao benefício.

Na maioria dos casos, recomendamos seguir alguns passos importantes.

Verifique o motivo do indeferimento

Leia atentamente a decisão disponibilizada pelo INSS.

Ela deve indicar as razões pelas quais o benefício foi negado.

Organize toda a documentação médica

Separe:

  • laudos;
  • exames;
  • receitas;
  • relatórios médicos;
  • atestados atualizados.

Quanto mais completa for a documentação, maiores são as chances de demonstrar a incapacidade para o trabalho.

Avalie se a decisão realmente analisou seus documentos

Depois da divulgação dessa investigação, tornou-se ainda mais importante verificar se houve uma análise individualizada da documentação apresentada.

Caso a decisão seja extremamente genérica ou desconsidere provas relevantes, pode haver fundamento para questioná-la.

Procure orientação jurídica especializada

Nem sempre o melhor caminho será apresentar um novo pedido.

Em muitos casos, um recurso administrativo ou uma ação judicial pode ser a alternativa mais eficiente para garantir o benefício e receber os valores atrasados.

Um advogado especializado em Direito Previdenciário poderá analisar todo o processo, verificar se houve irregularidades e indicar a estratégia mais adequada para o seu caso.

É possível recorrer da decisão do INSS?

Sim.

O segurado que teve o benefício negado normalmente possui diferentes alternativas, dependendo das circunstâncias do caso.

Entre elas estão:

  • apresentação de recurso administrativo;
  • realização de um novo requerimento quando houver documentos novos;
  • ingresso com ação judicial para revisão da negativa.

Na Justiça, o processo costuma contar com uma perícia médica realizada por profissional nomeado pelo juiz, totalmente independente do INSS.

Essa nova avaliação pode corrigir erros eventualmente ocorridos na análise administrativa.

A suspensão dos peritos significa que toda negativa foi injusta?

Não.

Esse talvez seja o ponto mais importante de toda essa notícia.

A investigação não concluiu que todos os benefícios negados estavam corretos ou incorretos.

O que existe são indícios de que determinados processos podem não ter recebido uma análise individualizada.

Isso significa que alguns trabalhadores realmente poderão ter sido prejudicados.

Mas também significa que diversas negativas continuarão sendo consideradas corretas, caso a documentação apresentada não comprovasse a incapacidade para o trabalho.

Por isso, cada situação deve ser analisada separadamente.

Um advogado especialista pode verificar se você foi prejudicado

A notícia envolvendo a suspensão dos 167 peritos reforça um princípio fundamental do Direito Previdenciário: cada pedido deve ser analisado individualmente.

Quando isso não acontece, o trabalhador pode acabar ficando sem renda justamente no momento em que mais precisa de proteção.

Infelizmente, negativas de benefícios sem critérios objetivos por peritos do INSS não é incomum.

Se o seu auxílio-doença foi negado e você acredita que a decisão não levou em consideração toda a documentação médica apresentada, vale a pena buscar uma análise especializada.

O advogado Mateus Ferrarezi, especialista em Direito Previdenciário, pode verificar se existem elementos para recorrer administrativamente ou ingressar com uma ação judicial para buscar a concessão do benefício, inclusive com o pagamento dos valores retroativos quando cabíveis.

Uma avaliação técnica do processo pode fazer toda a diferença para identificar se houve uma negativa legítima ou se você pode ter sido uma das pessoas prejudicadas pelas irregularidades que estão sendo investigadas pelo Ministério da Previdência Social.

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